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FÚRIA
O fenômeno meteorológico que atingiu Santa Catarina e o Rio Grande do Sul em março foi chamado de furacão pela Nasa e de ciclone pelo Inpe. Entenda as razões da polêmica Por Bettina Weber - Fotos Divulgação Nasa Na sexta-feira, 26 de março, as câmaras fotográficas do satélite Aqua, da Nasa, capturaram uma imagem surpreendente ao largo da costa dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul: a de um raro ciclone tropical. Depois de estudar as fotografias, o Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami (EUA), afirmou que o fenômeno era um furacão da categoria 1, ou seja, com ventos entre 121 km/h a 129 km/h. Mas os analistas brasileiros do Inpe (Instituto Nacional de Meteorologia) discordaram da classificação dos cientistas americanos e garantiram que as imagens não eram de um furação, mas, sim, de um ciclone ex-tratropical, cujos ventos atingiram no máximo 90 km/h. Os americanos continuaram insistindo em sua previsão, informando que seus colegas não utilizavam anemômetros(instrumentos que medem a velocidade ou a intensidade do vento, e também, em alguns casos, a sua direção) na região de ocorrência do fenômeno. Enquanto isso, o Catarina(como o furacão passou a ser chamado) avançou célere sobre a costa e atingiu o litoral sul de Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul, deixando um rastro de devastação e morte nos dois Estados, destruindo casas e afundando barcos, com ventos de até 150 km/h. Na manhã de domingo, 28, o Catarina mal tinha força para levantar do chão uma folha de jornal velho, porém a polêmica entre os meteorologistas americanos e brasileiros prosseguiu até o dia 6 de abril, quando os cientistas da Nasa reafirmaram que o Catarina fora mesmo um furação. Mas quem tinha razão, afinal? Para chegar a uma conclusão, entenda as diferencias entre os fenômenos meteorológicos.
Furação - Nome dado a um ciclone tropical de núcleo quente e bordas frias, com ventos contínuos de 120 km/h a até 250 km/h ou mais, que ocorre no atlântico Norte (Mar do Caribe e Golfo do México), no Pacífico Norte (Mar do Japão e Mar da China), no Pacífico Sul e no Índico. Nele, os ventos giram para um sentido quando próximos á superfície e em sentido contrário nos níveis mais altos da atmosfera. Já em um ciclone extratropical, os ventos giram sempre na mesma direção (veja ilustrações acima). No Pacífico Sul, .ele é chamado tufão; no Índico, ciclone. De acordo com a velocidade de seus ventos, é classificado em cinco categorias.
CATEGORIAS |
VENTOS |
CAPACIDADE DE DESTRUIÇÃO |
1 |
119 km/h a
153 km/h |
Capaz de provocar danos a casas de madeira, arrancar telhados, derrubar árvores, causar prejuízos em plantações altas e também naufrágios de barcos em alto-mar. |
2 |
154 km/h a
177 km/h |
Pode arrancar telhados, causar danos a portas e janelas de prédios, derrubar árvores e causar prejuízos em plantações, postes e píeres, afundar barcos mesmo em ancoradouros. Exemplos: furação Bonnie, de 1998, na Carolina do Norte (EUA), e furação Georges, tambem de 1998, em Florida Keys e no Delta do Mississipi. |
3 |
178 km/h a
209 km/h |
Capaz de provocar danos em residências e pequenos prédios, destruir casas de madeira, derrubar grandes árvores, causar inundações. Por segurança, pessoas que residam a distâncias de até 6 km do litoral devem ser retiradas de suas casas. Exemplos: o furação Roxanne, de 1995, na Península de Lucatan (México), e o furação Fran, de 1996, na Carolina do Norte. |
4 |
210 km/h a
249 km/h |
Pode causar a destruição total dos telhados e danos graves as pekquenas construções, derrubar árvores de grande porte, provocar ondas com força para derrubar casas de praia e extensas inundações. Por segurança, pessoas que residam a distância de até 10 km do litoral devem ser retiradas de suas casas. Exemplos: furacão Luís, de 1995, nas Ilhas Leeward (antilhas), e furação Félix, também de 1995. |
5 |
Superiores a
250 km/h |
Derruba praticamente tudo o que encontra pela frente: casas, plantações, provoca danos graves em edifícios residenciais e industriais. Por segurança, deve ser efetuada a retirada maciça de todos os que moram a menos de 16 km de distância do litoral. Exemplo: furacão Mitch, de 1998, no Caribe, e furacão Gilbert, de 1988. |
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Catarina
O fenômeno que atingiu os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em fins de março, foi chamado de furação pela Nasa e de ciclone extratropical pelo Inpe.
A Nasa, em Abril, ainda considerava o Catarina um furacão, enquanto o Inpe falou e, "sistema de características híbridas", ou seja, meio furacão, meio ciclone.
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Ciclone Extratropical
Sistema de área de baixa pressão atmosférica em seu centro. Também chamado de tempestade extratropical, ele é geralmente considerado um ciclone migratório encontrado nas médias e altas latitudes. Na foto, um ciclone extratropical entre a Austrália e a Nova Zelândia, em 2002. |
Ciclone
Sistema de área de baixa pressão atmosféricaem seu centro, com circulação fechada. Os ventos sopram para dentro desse centro. No hemisfério Norte, os ventos giram no sentido anti-horário; no Sul, no sentido horário. Na foto, o ciclone Cyprien, de janeiro de 2002, sobre a costas sul da Ilha de Madagascar, na África. |
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Ciclone Tropical
Sistema de área de baixa pressão atmosférica. Além de se desenvolver sobre as aguas tropicais devido ás altas temperaturas e umidade, ele se movimenta de forma circular organizada. Dependendo dos ventos de sustentação da superfície, o fenômeno pode ser classificado como perturbação tropical, depressão tropical, tempestade tropical, furacão ou tufão. Na foto, o ciclone tropical Fay, de 2004, sobre a costa noroeste da Austrália. |
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